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Mostrando postagens de março, 2012

Refém

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Às vezes me vem à cabeça e eu já me perdi. Esse instinto que há em meus olhos é mais forte que meu poder de negação. Não vou olhar. Não quero essa face esculpida em minhas pupilas para que as esperanças criem acontecimentos que fariam nascer esse tão raro ato em minha face que se chama sorrir.  Mas é sorrir pelo preenchimento do vazio nessa lacuna aqui do lado escuro e esquerdo do peito.  E já perdido no meio de tanta vontade, eu olho.  Pronto.  Já era.  Virei refém da idoneidade de persuasão daqueles cachos. Daquele lábio carnudo e delineado ao prazer do encaixe aos meus. Daquela bochecha macia como a própria palma da mão da mesma. Daquela deliciosa sensação de flutuar pelo cheiro de caramelo do balançar de seu vestido.  Olhos atados.  Refém. Da vontade. 

Sou seu, mas sem eu

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Parecia não acreditar. Das escassas surpresas da vida, não esperava nunca por essa. No meio da multidão de homens e mulheres permutados entre si num pequeno cubículo, alguém num ímpeto que jamais pensei que existiria gritou com eloqüência: “Se você estiver interessado por uma pessoa, você gritará ‘Esse aqui é meu’ e sairá com a pessoa, mas isso só é valido para a parte feminina. Valendo!” Gritos e mais gritos eram proferidos. Cá e lá. Canto a canto. Abraços por abraços. Beijos por beijos. Um mar de felicidade. Já não sobrava ninguém. Ainda não tinha sido escolhido. O lugar foi se esvaziando. Me virei para a parede. Passei a encarar minha sombra, minha única companhia. Até que escutei um “esse aqui é meu” em minha direção. Abasteci minha alma em conforto, mas eis que ao curvar meu corpo, me deparei que aquilo não passou de um eco do meu desejo pela sala vazia.