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William

“Pensar em você me faz bem. Eu não sei o motivo de só te trazer lamúrias, os desconfortos do meu viver. Eu devo estar fazendo errado, como sempre é de costume. Mas enquanto mãe, eu acho que você entende melhor que ninguém minhas fraquezas e talvez me faça elucidar melhor meus devaneios”. Tapeou a poeira no buquê empalidecido atado à lápide e assoprou a que se acumulava na foto já derretida pelas chuvas. “Você já deve ter visto de onde está, mas vim para conversarmos sobre isso. Eu me recuperei. Demorou, mas me recuperei”. Tirou o laudo psicológico do bolso e deu com a voz baixinha a ler o diagnóstico. Havia se recuperado de um transtorno psicótico breve. Ele se configurou após um considerável exagero na bebida em um dia qualquer. Bateu na porta da ex-mulher, acusou-a de coisas que nunca antes teve coragem de contar, espalhou a raiva pelo derrubar dos livros, vasilhas e vidros ali presentes. A ex-mulher esperneava enquanto pedia ajuda aos vizinhos e recolhia os filhos a um local...