50 tons de beliche
Christiano finalmente fechara o aluguel. Vivia ele e mais um colega, o Cesar. Na casa mal cabia espaço pros dois mais um quarto, um banheiro e uma sala-cozinha. Tentavam se abarrotar naquele imóvel que espremia para caber em suas despesas. O quarto era pequeno, insuficiente para duas camas. No improviso, compraram uma beliche, mesmo após demasiadas divergências a respeito disso. Ainda que soubesse que a juventude passa um tanto quanto rápida, Christiano era mais recolhido a um espírito de tentar ser alguém bem sucedido na vida. Trabalho, comprometimento e estudos consumiam seu tempo de forma quase que completa. Contudo, seu colega de quarto era o inverso dos polos. Cesar, além de come e dorme, era do tipo namorador, por mais que soasse incrível para Christiano que ele fosse capaz de formular alguma frase sem ajuda de um adulto. Para ele, os dias mais tortuosos eram os que Cesar levava a namorada em casa. Como inutilmente defendeu a ideia de beliche, não imaginava na época...