Quem dera
A moça tinha um costume que só ele sabia identificar. Como bem decorou, ela admirava o pôr do sol. Não era surpresa uma pessoa se maravilhar com um melancólico fim de tarde. Sem nem saber, os dois, ali mesmo naquele fraquejado piso de marfim, faziam um dueto de espetáculo. A moça da sacada, no entanto, não enxergava o seu observar, embora fosse elegante ser dono do segredo dela. Ela variava em roupas curtas num corpo entregue ao sublime pedido de refresco. Seus cabelos úmidos e sempre penteados com a ajuda indireta do vento. Além, claro, do rosto livre e sem maquiagem, assim dialogando com a melhor naturalidade de si. Encantar-se por ela era sentir ter algo para amar. Cada detalhe anotado em tópicos de categorias que subdividiam-se à medida que descobria no pouco tempo um pouco mais da querida moça. Mas só se encantar era pouco. Pensar nela e pensar num futuro juntos era tão bom quanto uma salada bem temperada. Numa tarde de uma quinta-feira, quando finalmente entardeceu...