Entra aqui no elevador
O lugar que eu trabalhava era enorme. Era entrar naquele estabelecimento e sentir que um labirinto pode ter forma de um prédio. Oxalá com seus 30 andares e um punhado de escadas que, para mim, eram as paredes que nos encurralavam e nos engoliam na rotina. A minha sala ficava nem muito em cima e nem muito embaixo. Um pouquinho pra lá da metade. Pra chegar era um Deus nos acuda, nos dê perna, nos dê água e nos dê um teletransporte. É, às vezes eu apelava com aquele cara lá de cima. Por sorte ele não apelava comigo. Ou apelava. Se o sinônimo disso fosse subir todos os dias aquelas escadas de piso de marfim amarronzado que camuflavam com o meu sapato desgastado. A subida era sempre sangrenta. Eu subia sozinho. Dava a liberdade para as escadas ouvirem meus pensamentos. Também para responderem, ouvirem minhas reclamações e dividirmos histórias, se é que eu me permitia a tanta loucura. Escadas não são SAC. Mas eu fingia que eram. “Por que ...