Rua dos meus olhos
Um menino. Diferente do comum. Tinha o rosto perdido. Parecia procurar por algo e não encontrar nada. Depois de muito tempo percebendo a presença constante e a parada estratégica do garoto em frente a rua, uma moça que morava lá em seu fim não hesitou em perguntá-lo: - Olá, menino, me desculpe por tirá-lo do seu sossego, mas por que você fica parado em frente essa rua a encarando com os olhos perdidos? O menino arregalou os olhos, os regou com gotinhas de lágrimas e abaixou a cabeça. A moça, sem entender nada, voltou a perguntar: - Olha, menino, se o incomodei, me desculpe. Não era a minha intenção. É que esse seu costume de sempre parar aqui em frente e olhar para a rua me comoveu. Ele novamente não disse nada. Intrigada, a moça pegou em suas mãos e disse com a voz mimada: - Vai. Solte as palavras. Fale comigo. Fale, por favor. O menino apertou forte a mão da moça em zelo, parecia inseguro mas cheio de si, e finalmente respondeu: - Encaro essa rua...