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Mostrando postagens de janeiro, 2012

Rua dos meus olhos

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Um menino. Diferente do comum. Tinha o rosto perdido. Parecia procurar por algo e não encontrar nada. Depois de muito tempo percebendo a presença constante e a parada estratégica do garoto em frente a rua, uma moça que morava lá em seu fim não hesitou em perguntá-lo: - Olá, menino, me desculpe por tirá-lo do seu sossego, mas por que você fica parado em frente essa rua a encarando com os olhos perdidos? O menino arregalou os olhos, os regou com gotinhas de lágrimas e abaixou a cabeça. A moça, sem entender nada, voltou a perguntar: - Olha, menino, se o incomodei, me desculpe. Não era a minha intenção. É que esse seu costume de sempre parar aqui em frente e olhar para a rua me comoveu. Ele novamente não disse nada. Intrigada, a moça pegou em suas mãos e disse com a voz mimada: - Vai. Solte as palavras. Fale comigo. Fale, por favor. O menino apertou forte a mão da moça em zelo, parecia inseguro mas cheio de si, e finalmente respondeu: - Encaro essa rua...

Você nem sabe

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Você nem sabe, mas eu te reparo por completo. Você nem sabe, mas eu sei dos seus trejeitos. Você nem sabe, mas eu já fui seu. Nos meus sonhos. Você nem sabe, mas eu pincelo seu rosto nas molduras dos meus desejos. Você nem sabe, mas eu enquadro meu rosto quando imagino que você está me olhando. Você nem sabe, mas eu respiro ofegante quando você me surpreende sorrindo sem motivo. Você nem sabe. Que eu existo.

Quando até o amor é bobo...

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Sem nem ser um ator hollywoodiano ou sem nem ter gabaritado todos os pilares do Oscar, nas minhas fantasias eu sou perfeito em criar personagens para mim mesmo. Eu me imagino dizendo palavras engomadas de amor. Eu me imagino fazendo reações em cadeia com a natureza, só para que chova bem na hora em que estou me declarando. A cena é de novela ou de drama ou de comédia romântica ou de clichês sucessivos incansáveis ininterruptos, tanto faz, você está lá no meu circo de ilusões. Da fase da semente eu já passei. Sou um fruto maduro, esperando para ser escolhido e mordido pelos seus dentes simetricamente perfeitos e intercalados com seus lábios chapiscados de batom. Seu figurino é comum. Sem extravagância. Simples como cobra o General do exército do meu desejo. Permuto-lhe de maneiras evasivas. Apaixonado pelo risco e pela inovação, não ligo quando você muda meu jeitinho. Perto de você eu me recrio. Daí veio o problema: a paixão é bonita, mas me deixa bobo. Fico parecendo um imã quando t...