Chamada
Mais de duas horas passadas. Nada. Colocou-se na posição de medir o tempo em vista de tentar controlar a ansiedade. Mas ele demorava a passar. Quando se espera ele demora. Como articulava, era estranha a relação entre demora e tempo. Um bem que contribuía com o outro. Qualquer indivíduo que estivesse adjacente à eles seria nada menos que designado à amargura da expectativa. O celular tinha seus olhos arregalados e atentos como vigias: quase como se fosse um guarda de segurança de vinte e quatro horas por dia. Qualquer movimento estranho ele tinha de ir lá e verificar. Mas eram raras essas vezes. Em qualquer lugar que estivesse tentava se controlar para não bisbilhotar mesmo quando ele não dava sinais de que era necessário ir até ele. Pegava. Checava. Novamente, nada. A escolta para com ele mais era dez segundos de atenção para as obrigações; dois minutos ou mais de um olhar minucioso para sua tela. Sempre um vai e vem de uma esperança vã e uma esperança por...