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Mostrando postagens de 2017

PERDÃO

Faltava ar. O que era aquilo no reflexo? Havia um borrão no seu rosto, não te reconhecia, seu corpo estava todo fragmentado. Estávamos de mãos dadas a segundos atrás. Agora não estamos mais. Não fazia sentido. Sua risada perpetuava-se num eco canto a canto pelos ouvidos, até que findava-se quando eu tentava encontra-lo. Eu não consigo compreender. O meu sistema deve estar em pane novamente. Eu tinha um plano. Era uma ideia. Eu devo voltar à essa ideia. Talvez a razão esteja lá. Talvez eu saia desse bug . Cliquei.  Lembro que queria um pano que não me fizesse espirrar. Não podia ser algo tão fino, mas também não podia ficar tão preso à pele, sufocando meus movimentos e evidenciando meus desleixos pelo corpo. Tinha que ser branco, com mapas pretos que se perderiam por toda a costura e que dariam unidade ao meu estilo. Para os pés, nada ali na loja serviria; para a cabeça a mesma coisa. O alfaiate desenhou-o pela malha, de acordo com a postura que havia pedido. Era de comu...

2016

A pilha de relatórios se erguia. O telefone do escritório tocava e o som se esvaziava aos poucos que não era atendido. O bater na porta enfraquecido, miúdo como a desesperança do atendimento. A caneta ora repousada, ora atrás da orelha, ora em onomatopeia com a mesa, ora em concerto com o repique dos pés. A resposta não vinha. O celular não disparava fogos e o avião não passava no céu dispersando em fumaça “sim, eu aceito sair com você”. Donn não se aguentava. No aplicativo o pedido para sair feito a uma garota que de ti não conhecia nada, senão somente a casca do seu ser. Pedido feito um dia e meio antes, contado em cada segundo de ansiedade. Na mensagem, um pouco singelo, educado; na foto, robusto como um disfarce perfeito de algo chamativo. O galanteio direto, objetivo como a teia de uma aranha perto de um mosquedo. Em sua cabeça rodeava a matemática da média, sendo que pensava ter a nota suficiente para ter a aprovação daquela garota. O celular vibrou. Era uma chamada pelo wha...