Trem da minha estação
Parece que foi ontem. De longe, por entre a neblina seca e fria, avistava o trem chegando a estação: apitando forte e bombardeando o coração de quem aguardava ali de fora. Trazia consigo milhares de pessoas, milhares de emoções, milhares de frustrações e milhares de decepções. Vários passageiros de olhos atentos às pessoas com as plaquinhas os esperando. Vários casais se abraçando em saudade. Vários vagões de lagrimas derramados pelo reencontro de famílias que não se viam há tempos. E também havia uma pessoa estacionada no meio de uma alucinante transação de pessoas: eu. Parado, sozinho, encostado numa pilastra golpeado pelas rajadas frias e penetrantes do frio. Os olhos enrugados, desgastados pela incessante procura pelo meu trem. Quando traria o que eu esperava? Quando traria quem realmente desenhei o nome em minha placa? Ir esperar por um trem que nunca voltou era minha rotina diária. Esperar por um trem que parece nunca ter ido, nunca ter levado quem eu pro...