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Mostrando postagens de 2012

Às vezes o amor é como um balão

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Quando iniciamos qualquer tipo de relacionamento sempre nos questionamos se estamos sendo pegajosos demais. Se estamos demonstrando interesse abusivo. Até se estamos nos apegando e mostrando excessivamente nossa parte carente e sensível. O amor passa a ter marcado em si uma métrica, uma medida, uma régua. E é aí que pecamos. O amor não precisa de medidas. Se sentimos vontade de demonstrar, nos contemos. Se sentimos desejo e ânsia por um abraço, nos contemos. Se sentimos que precisamos ter a pessoa por mais tempo, por mais minutos, segundos, milissegundos ou pela eternidade, nós também nos contemos. Inventamos um freio de mão para nossa felicidade pensando instantaneamente que o apego exagerado é desnecessário, mas que o desapego exagerado também é desnecessário. Vivemos na metade da balança onde já não há mais espaço para tantos indecisos e desamparados. Para amar não precisa se conter. O amor bom é o exagerado, é o que o seu coração vazio precisa: de rajadas mais cheias ...

Sempre presente nos meus lábios

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Ela nem sabe do poder que tem. É disputada por milhares de corações. Milhares que a tem guardadinha nos pensamentos e nos dias. Existem momentos em que ela não sai da cabeça. Ela domina e torna quem a tem seu escravo. É severa. Impetuosa. Tem suas características próprias, dentre elas caracterizar facilmente quem a tem em suas faces e em seus lábios. Por vezes queremos abandoná-la. Só que ela é mais forte. Por vezes queremos que não ela seja tão presente. Queremos mais é sua ausência. Quando tudo parece apertar, nos questionamos porque ela é tão compromissada e tão pontual em manter-se sempre constante. Mas sem ela a alegria seria um prato vazio, insosso. Sem ela a vida seria uma corrida sem obstáculos, uma estrada sem buracos. Não sei viver sem você, Tristeza. 

Trem da minha estação

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Parece que foi ontem.  De longe, por entre a neblina seca e fria, avistava o trem chegando a estação: apitando forte e bombardeando o coração de quem aguardava ali de fora. Trazia consigo milhares de pessoas, milhares de emoções, milhares de frustrações e milhares de decepções. Vários passageiros de olhos atentos às pessoas com as plaquinhas os esperando. Vários casais se abraçando em saudade. Vários vagões de lagrimas derramados pelo reencontro de famílias que não se viam há tempos. E também havia uma pessoa estacionada no meio de uma alucinante transação de pessoas: eu. Parado, sozinho, encostado numa pilastra golpeado pelas rajadas frias e penetrantes do frio. Os olhos enrugados, desgastados pela incessante procura pelo meu trem. Quando traria o que eu esperava? Quando traria quem realmente desenhei o nome em minha placa? Ir esperar por um trem que nunca voltou era minha rotina diária.  Esperar por um trem que parece nunca ter ido, nunca ter levado quem eu pro...

Refém

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Às vezes me vem à cabeça e eu já me perdi. Esse instinto que há em meus olhos é mais forte que meu poder de negação. Não vou olhar. Não quero essa face esculpida em minhas pupilas para que as esperanças criem acontecimentos que fariam nascer esse tão raro ato em minha face que se chama sorrir.  Mas é sorrir pelo preenchimento do vazio nessa lacuna aqui do lado escuro e esquerdo do peito.  E já perdido no meio de tanta vontade, eu olho.  Pronto.  Já era.  Virei refém da idoneidade de persuasão daqueles cachos. Daquele lábio carnudo e delineado ao prazer do encaixe aos meus. Daquela bochecha macia como a própria palma da mão da mesma. Daquela deliciosa sensação de flutuar pelo cheiro de caramelo do balançar de seu vestido.  Olhos atados.  Refém. Da vontade. 

Sou seu, mas sem eu

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Parecia não acreditar. Das escassas surpresas da vida, não esperava nunca por essa. No meio da multidão de homens e mulheres permutados entre si num pequeno cubículo, alguém num ímpeto que jamais pensei que existiria gritou com eloqüência: “Se você estiver interessado por uma pessoa, você gritará ‘Esse aqui é meu’ e sairá com a pessoa, mas isso só é valido para a parte feminina. Valendo!” Gritos e mais gritos eram proferidos. Cá e lá. Canto a canto. Abraços por abraços. Beijos por beijos. Um mar de felicidade. Já não sobrava ninguém. Ainda não tinha sido escolhido. O lugar foi se esvaziando. Me virei para a parede. Passei a encarar minha sombra, minha única companhia. Até que escutei um “esse aqui é meu” em minha direção. Abasteci minha alma em conforto, mas eis que ao curvar meu corpo, me deparei que aquilo não passou de um eco do meu desejo pela sala vazia. 

Rua dos meus olhos

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Um menino. Diferente do comum. Tinha o rosto perdido. Parecia procurar por algo e não encontrar nada. Depois de muito tempo percebendo a presença constante e a parada estratégica do garoto em frente a rua, uma moça que morava lá em seu fim não hesitou em perguntá-lo: - Olá, menino, me desculpe por tirá-lo do seu sossego, mas por que você fica parado em frente essa rua a encarando com os olhos perdidos? O menino arregalou os olhos, os regou com gotinhas de lágrimas e abaixou a cabeça. A moça, sem entender nada, voltou a perguntar: - Olha, menino, se o incomodei, me desculpe. Não era a minha intenção. É que esse seu costume de sempre parar aqui em frente e olhar para a rua me comoveu. Ele novamente não disse nada. Intrigada, a moça pegou em suas mãos e disse com a voz mimada: - Vai. Solte as palavras. Fale comigo. Fale, por favor. O menino apertou forte a mão da moça em zelo, parecia inseguro mas cheio de si, e finalmente respondeu: - Encaro essa rua...

Você nem sabe

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Você nem sabe, mas eu te reparo por completo. Você nem sabe, mas eu sei dos seus trejeitos. Você nem sabe, mas eu já fui seu. Nos meus sonhos. Você nem sabe, mas eu pincelo seu rosto nas molduras dos meus desejos. Você nem sabe, mas eu enquadro meu rosto quando imagino que você está me olhando. Você nem sabe, mas eu respiro ofegante quando você me surpreende sorrindo sem motivo. Você nem sabe. Que eu existo.

Quando até o amor é bobo...

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Sem nem ser um ator hollywoodiano ou sem nem ter gabaritado todos os pilares do Oscar, nas minhas fantasias eu sou perfeito em criar personagens para mim mesmo. Eu me imagino dizendo palavras engomadas de amor. Eu me imagino fazendo reações em cadeia com a natureza, só para que chova bem na hora em que estou me declarando. A cena é de novela ou de drama ou de comédia romântica ou de clichês sucessivos incansáveis ininterruptos, tanto faz, você está lá no meu circo de ilusões. Da fase da semente eu já passei. Sou um fruto maduro, esperando para ser escolhido e mordido pelos seus dentes simetricamente perfeitos e intercalados com seus lábios chapiscados de batom. Seu figurino é comum. Sem extravagância. Simples como cobra o General do exército do meu desejo. Permuto-lhe de maneiras evasivas. Apaixonado pelo risco e pela inovação, não ligo quando você muda meu jeitinho. Perto de você eu me recrio. Daí veio o problema: a paixão é bonita, mas me deixa bobo. Fico parecendo um imã quando t...