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Mostrando postagens de maio, 2014

Impossível

Queria falar do impossível. Queria entender como ele próprio se define assim. Entender sua semântica e ir além de sua representação. Dissecá-lo como se estivesse numa aula de biologia e ver por dentro seu funcionamento ou despedaça-lo como se fosse um diamante e analisar seus cristais. Entendo somente que, em termos definitivos, sua significação dá-se justamente por sua diversidade. A ideia de impossível é aplicada, por exemplo, se o objetivo traz no entorno a insuficiência de materiais para ser completado. O impossível pode também tomar a forma de uma via sem volta: quase como atravessar uma pinguela e durante o processo as madeiras caírem. O impossível, às vezes, é um desejo e por só aquele desejo assim será para sempre, sem conclusão ou satisfação plena. O impossível, dessa forma, é nitidamente um naufrágio de ambições de ideais. Ao apresentar um caráter irreversível, o impossível não somente compreende um vazio no ser, como também este mesmo vazio ramifica-se em mais vazio...

Ô, meu amor

E de repente virei pro meu amor e falei: “Tu te encontras nas minhas palavras?”. Às vezes eu falo, escrevo, penso, mas acolho-me nessa invariável incerteza se aqui tu te identificas. Mas eu vou lapidando umas palavras e você me acompanha, certo? Nem que aqui não se veja. De certo o que há no meu íntimo é não saber de nada. Como ter no punho um lápis e noutro uma questão matemática sendo que sou herdeiro de amores das humanas. Se assim me permite intitular-me, meu amor, sou filho das letras, amante das paroxítonas e devoto de uma pá de orações bem ou mal subordinadas. Ô, meu amor, fala para mim, diga-me se é assim que se faz com minhas palavras: se eu posso te procurar no meu mini-globo terrestre que eu chamo de coração? Te encontrou?  Talvez se eu pôr o dedo ali no meridiano e dizer a localização da minha memória mais aguçada de você seja um bom caminho. Deu?  Quem sabe dizer quando me perguntam onde fica essa libido toda que eu frutifico e com toda minha...