2016
A pilha de relatórios se erguia. O telefone do escritório tocava e o som se esvaziava aos poucos que não era atendido. O bater na porta enfraquecido, miúdo como a desesperança do atendimento. A caneta ora repousada, ora atrás da orelha, ora em onomatopeia com a mesa, ora em concerto com o repique dos pés. A resposta não vinha. O celular não disparava fogos e o avião não passava no céu dispersando em fumaça “sim, eu aceito sair com você”. Donn não se aguentava. No aplicativo o pedido para sair feito a uma garota que de ti não conhecia nada, senão somente a casca do seu ser. Pedido feito um dia e meio antes, contado em cada segundo de ansiedade. Na mensagem, um pouco singelo, educado; na foto, robusto como um disfarce perfeito de algo chamativo. O galanteio direto, objetivo como a teia de uma aranha perto de um mosquedo. Em sua cabeça rodeava a matemática da média, sendo que pensava ter a nota suficiente para ter a aprovação daquela garota. O celular vibrou. Era uma chamada pelo wha...