Neblina da alma
O frio do fim da madrugada. As nuvens cinzas. A neblina em paisana. Chovia, mas timidamente. Eu nem sentia os pingos. O vento se fazia presente na forma mais branda e contínua de sua natureza. Meu corpo planava pela rua. Me sentia num misto de estase e melancolia. De um lado, bem lá no fundo do meu ser, um súbito pressentimento de que algo não me parecia certo; do outro lado, algo parecia. A minha casa estava longe. A minha dor era enorme. Minha cabeça não suportava a pressão de pensamentos indo e vindo. Ela doía. Muito. Cheguei a puxar meus cabelos semi-molhados para trás. Eu soava frio. E soava bastante. Cadê minha casa? Por que as ruas estão tão extensas? Por que meus pés estão pesados? Por que essa sensação de querer vomitar a alma? As ruas vazias. Onde está todo mundo? O que estou fazendo a essa hora andando sozinho por essas ruas abandonadas? Onde estão as cores das pessoas? Minha casa esta...