William
“Pensar em você me faz
bem. Eu não sei o motivo de só te trazer lamúrias, os desconfortos do meu
viver. Eu devo estar fazendo errado, como sempre é de costume. Mas enquanto
mãe, eu acho que você entende melhor que ninguém minhas fraquezas e talvez me
faça elucidar melhor meus devaneios”.
Tapeou a poeira no buquê
empalidecido atado à lápide e assoprou a que se acumulava na foto já derretida
pelas chuvas.
“Você já deve ter visto
de onde está, mas vim para conversarmos sobre isso. Eu me recuperei. Demorou,
mas me recuperei”.
Tirou o laudo psicológico
do bolso e deu com a voz baixinha a ler o diagnóstico. Havia se recuperado de
um transtorno psicótico breve.
Ele se configurou após um
considerável exagero na bebida em um dia qualquer. Bateu na porta da ex-mulher, acusou-a de coisas que nunca antes teve coragem de contar, espalhou a raiva
pelo derrubar dos livros, vasilhas e vidros ali presentes. A ex-mulher
esperneava enquanto pedia ajuda aos vizinhos e recolhia os filhos a um local
seguro. Não obstante, ele pegou uma furadeira que estava repousada na estante
do lado de fora da casa, ligou-a e saiu perfurando todas as fotos que haviam no
local – incluindo as do marido atual, das filhas e dos momentos que estes
tiveram juntos; depois, esticou uma de suas mãos na parede e a perfurou; fez o
mesmo na outra. Com dois grandes parafusos tentou prendê-las na parede em uma
insignificante alusão à Jesus Cristo crucificado. Enquanto isso, berrava de
doer os ouvidos de quem ouvia o amor que já havia dado aos filhos e não tinha
seu devido reconhecimento; também o distanciamento da mulher quando ele
supostamente mais precisou; e, por fim, o terminar quando ele já não tinha mais
forças para se doar à um relacionamento que evidentemente nunca se desenhou
como recíproco. Só sucumbia num sentimento de profunda depressão e indecisão na
vida. Dizia, ironicamente, que era como Jesus: o valor do pão que dividiu não era suficiente,
haveria sempre quem lhe crucificasse pelos seus atos.
“Depois de meses voltei a
fechar completamente as mãos, não rompi nenhum ligamento dos meus dedos. Veja
só, eu perfurei o que me permite executar a paixão de minha vida: escrever
estas velhas histórias em papel de almaço e tocar o meu doce piano. Mas hoje eu
não vim só para te contar que melhorei, hoje eu vim te contar sobre tudo que
passei desde que você se foi e eu não pude sentir o calor do seu abraço nas
alegrias e nas tristezas. Como eu disse: você deve estar me vendo daí, sabe de
tudo ao lado de Deus, mas isso precisa vir de mim, a consciência do que passei
e do que estou passando. São passos curtos de um amadurecimento que eu sempre busquei”.
Inclinou o corpo e
deu indelicadamente com as nádegas no túmulo ao lado. Pediu licença ao falecido
e vizinho de sua mãe para iniciar a conversa.
“Antes de passar pelo
episódio do transtorno eu me encontrava perdido, mamãe. Eu fraquejava em um
amor que não era recíproco; eu não sabia ser o melhor pai para meus filhos –
mesmo tentando e falhando sempre. Eu tentava me corrigir, mas era como se eu
sempre usasse uma borracha toda manchada de tinta. Eu não sabia articular o que
fazer de correto, eu sou péssimo em associações com as coisas que são de mim.
Eu via na bebida um lugar em que eu pudesse repousar e fazer minha mente tão
crítica se embaralhar, porque talvez só assim os pensamentos estando
desorganizados eles não se submeteriam a ser donos das minhas loucuras. Mas o
vício foi se tornando corriqueiro. Tão corriqueiro que não me via longe de
qualquer lugar que pudesse me trazer um copo cheio de qualquer bebida que me
embriagasse. No meio dessa coisa toda sem sentido e direção, meu primo Jacó
chegou para mim e disse “pegue a mais bonita daquelas coisas que tu escreve,
adicione “para ti, Lorena” e deixe que eu cuido do resto”. Quem era Lorena eu
não sabia, não conhecia. Mas ele achava que pudesse ser um presente. Como se
também o que se fazia por mim fosse uma total necessidade de amor e também de
carência. Parece que a família faz melhor leitura da gente do que nós mesmos.
Eu topei a loucura. Ele levou o texto para ela. Dias depois recebi uma carta-resposta.
Veio em folha A4 simples, com dizeres ao final em caneta azul e sem brilho
“moço das palavras bonitas, venha me visitar”. Eram horas de viagem, mas o
carro aguentaria, ainda que bebesse tanto quanto o dono. Eu tentei me manter um
dia limpo da toxicidade do álcool para trazer à querida moça talvez o que fosse
melhor de mim. Eu nunca imaginaria que um leve afago na minha decadência seria
justamente um tiro no escuro”.
Uma pessoa ali perto interrompeu sua
linha de raciocínio deixando cair o vaso que havia trazido. Os pedaços de vidro
embaraçaram-se com pétalas mortas no chão.
“Quer ajuda?” – disse
William, tentando buscar seus olhos, mas eles se escondiam por um véu preto que
tapava todo o seu rosto.
“Para mim ainda é um
golpe muito duro. A minha mão não consegue se livrar dessa tremedeira. Eu não
vou me arriscar a colher esses cacos”. – disse, enquanto juntava uma mão na
outra.
“Deixa comigo. E... quem
você perdeu?”
“Não perdi. Ainda está
aqui”. – e esmoreceu. “Escuta, eu vou embora. Obrigada pela ajuda”.
A moça, introversa, deu
de costas para William e seguiu rumo à saída. Aproveitou para esfregar de novo
o chão e sentou-se novamente no túmulo para continuar a conversa com sua mãe.
“Eu precisei vencer a
abstinência enquanto dirigia. Minhas mãos estremeciam e meus pensamentos
estavam variantes. A ansiedade configurava-se como palco principal de mim. Veja
bem, mamãe, o valor que eu coloquei em cima de uma simples expectativa. Eu
pensei que minha vida andava tão morna que qualquer proposta de felicidade
maior ou menor já era sinal de bons vendavais. Mas consegui chegar lá. Enquanto
esperava por meu primo sentado na praça, vi o sair das pessoas da missa. Os
sinos cantando e conversando uns com os outros; gente comprando pipoca e casais
dividindo algodão-doce. Mas um rapaz... só de pensar... enfim, sentou ao meu
lado e abriu uma lata de cerveja. Aquele barulho do gás saindo lá de dentro me fez fechar os olhos e esboçar uma salivação. Apertei ainda mais meus olhos
cerrados. Deus brinca com essas coisas, mamãe? Você que está aí ao lado dele
poderia perguntar. Minhas mãos começaram a tremer ainda mais. Sentir o cheiro
do álcool pelo hálito do rapaz embriagava-me de tabela. Eu só queria que aquilo
parasse. Meu primo apareceu para minha sorte. Disse “vamos encontrá-la”.
Ficamos parados rente ao portão principal. E foi aquilo por minutos a fio.
Comecei a desconfiar se a carta-resposta não tivesse sido
coisa dele. “Eu não acredito que ela fez isso, eu tô muito puto”, disse ele,
distanciando minha desconfiança; “fica aqui que eu vou na casa dela, você não
veio à toa”, disse, tentando me consolar. Mamãe, no momento em que ele saiu eu
senti falta do pesar, que deveria vir pelo até então desemparo; e o abandono da
expectativa, que nem se materializou. Estaria fadado à isso? Às pessoas irem e
não permanecerem na minha vida? Ou a nunca virem? Quem sou eu para ditar como o
destino deve se fazer, mas esse roteiro é muito inconveniente. Alguns minutos
depois Jacó voltou dizendo “não achei ninguém na casa dela, perguntei aos
vizinhos e ninguém sabe o paradeiro. Sinto muito mesmo, William. Mas eu não vou
te deixar assim. Eu quero te ajudar”. Eu sei o que você está
pensando, que eu não resisti à uma lata de cerveja ou a um copo de pinga. Pois
errou. Eu acabei me acostumando. A vida é um eterno acostumar-se, não é? Como
brinde, ao anoitecer uma chuva caiu inesperadamente. E eu teria que trabalhar
no outro dia. Uma estrada com chão molhado é um convite a um acidente. Eu tive
que esperar. A ruazinha era de chão colonial, então a água descia desviante,
nem fazia barulho de corrente d’água como eu estimava ouvir. Dentro do carro
senti vontade de ouvir uma música. Liguei o som e confortei meus ouvidos. Eu só
escuto músicas tristes, não é, mamãe? Você cantava comigo. Naquele dia elas
eram rimas para o meu estado de espírito. Músicas atingem a alma num nível que
não consigo descrever; se tristes ou alegres elas incrivelmente abrandam. Mas
elas me trouxeram a refletir. Eu estava ali para conversar, ser pro outro
ouvido, amor e carinho. Eu já devo ter dito isso na carta que hipoteticamente
chegou até ela. Será que ela existe mesmo? Fechei meus olhos. Respirei fundo.
Eu estava cansado de lamentar. Se fosse contar as vezes que já fiz isso, eu me
perderia nas repetições. Eu celebrei ter superado a vontade de beber, era uma
vitória e tanto. Com amor ou sem amor, eu havia achado minha independência.
Aquilo me trazia gozo, mas também me trazia um medo: ainda não se configurava
em mim uma segurança constante; para aquele momento era só um flerte, um
chamego gostoso que eu não queria deixar sair de mim. Quando a chuva findou o
escaldar, eu finalmente fui embora. As mãos abalizadas seguravam firmemente o volante para que eu não
devaneasse aos estímulos da noite e pudesse chegar em casa tranquilamente. Mamãe,
você sempre dizia para eu não viajar à noite pois “Ela traz perigos que os
olhos não veem”. Mas eu havia de encarar. Eu tinha trabalho a fazer. Como ainda
estava garoando, o vidro do carro embaçou e eu me perdi em algumas curvas. Fui
parar em uma cidade que não conhecia. Senti um amargo sabor de desespero.
Decidi parar num bar de esquina, daqueles que cheiram a ovo em reserva e
galinha d’angola. Estava vazio. Sentei ao balcão. Subitamente meus olhos
começaram a revirar numa angustiante vontade de clamar ao garçom “desce uma,
por favor”. Mas eu só queria a rota para fora da cidade. Na verdade, era uma moça
que ali trabalhava. Veja bem, eu mal lhe conhecia, mas já a admirava por
encarar os perigos da noite trabalhando num lugar onde frequentam-se pessoas
distantes de qualquer sobriedade ou razão com o mundo. E foi isso que disse à
ela “onde está sua medalha de bravura? Não deve ser fácil aturar esses homens
dizendo coisas importunas”. Enquanto secava um copo americano, cortou minha
fala “não chegam a esse ponto, porque temem alguém que lhes desafie. Vai querer
o que?”; “por ora, só uma informação” mas a vontade era de largar o trabalho e
ficar ali para conhecer aquela bela figura. “E qual informação seria essa? Se
sou solteira? Essa é velha, colega”, ri de canto de boca “chegou o dia em que
alguém te tirou dessa pergunta automática. Eu preciso chegar em casa e estou
perdido”, ela “no meu olhar? Você está tentando não ser clichê, mas está
sendo”, ela fazia deboche e eu caía na dança “não estou te cantando, eu
realmente preciso ir embora” e ela pegou um guardanapo e fez um desenho do
caminho que eu deveria fazer. Eu a agradeci e tomei rumo, com um olhar tímido
para trás como se dissesse pelas bochechas vermelhas “eu queria ficar”. Mas,
como quem achasse um tesouro sem um X no mapa, bem abaixo do desenho pequeno e
timidamente encontrava-se um número de telefone. Como nos filmes, sabe, mamãe.
A tal da reviravolta. Eu sorri. Se ligaria para aquele número é outra história.
Mas só de tê-lo ganhado eu me senti derretido um pouquinho. No meu horário de
almoço do outro dia e com o bilhete em mãos decidi ligar. Disquei. “Serviço de
auxilio e direcionamento para rotas em rodovias, boa tarde”. Desliguei".
Tomou-se a rir. Até que
sucumbiu à uma gargalhada escandalosa. Secou a baba que escorreu no canto do
lábio e fingiu dobrar o papel do resultado do exame diagnóstico.
“Como eu ri naquele
momento, mamãe. A vida tem um sabor debochado que eu aprendi a degustar. Eu não
me permitiria ficar triste. Quem me arranca risadas dessa maneira não merece
uma cara fechada. Eu poderia ir àquela cidade de novo, no mesmo bar e eu tenho
certeza que ela improvisaria um outro cenário de deboche com este boêmio homem
que vos fala”.
A risada deu subitamente
lugar a um engolir a seco. Deu com a ponta dos dedos no cateto dos olhos como
se fosse salva-vidas de lágrimas que pulavam irresponsavelmente.
“E ter ido até lá de
novo...”
Suspendeu as mangas da
blusa, pegou o cigarro no bolso e o acendeu.
“Eu não tinha nada a
perder. Era preciso apenas ir até àquela cidade com um pouco mais de tempo e
dizer as coisas certas para a moça. Os meus amores sempre tão distantes seja
literalmente ou não, né. Mas eu precisava. A ideia de ter uma possibilidade de
refazer o que eu não pude com a mãe dos meus filhos aterrorizava-me como um
demônio abocanhando meu calcanhar. E eu fui. Esperançoso, munido de muitas
possibilidades de coisas para se conversar. A um primeiro momento eu me
assustei quando assentei-me no banco rente ao balcão: aquele bar nunca tinha
gente, e ela não estava lá. Esperei por um longo tempo e nada. Um velho senhor
veio dos fundos e me abordou “está perdido aqui novamente?”. Eu engasguei
respondendo “mas o que? Eu nem te conheço”; “esteve outro dia aqui de noite e
conversou comigo pedindo informação pra ir embora pra casa”. Pronto. Eu já não
sabia se eu tinha mais sanidade mental. O que estava acontecendo? O senhor
começou a rir. E gritou por um nome: Dalila. Ela saiu de trás de um armário e
veio gargalhando “você tinha que ver sua cara”. Ela, quando notou que eu estava
ali novamente, pediu ao pai para me enganar. Eu não havia dito que ela
certamente prepararia um cenário de deboche? Eu não conseguia amar menos.
Findamos a noite discutindo gostos musicais e culinários regados a golos
delicados de um caldo de cana que vendiam por lá; também falávamos de nossos
dramas familiares e fazendo piadas de nossas vidas descompassadas. Entre uma
piada e outra sentimos uma força que veio subitamente a guiar nossas bocas de
encontro. Sem pedir licença e nem nada, elas apenas regeram a cerimônia de
sintonia. O êxtase foi completo. Eu sentia que apenas vagava no mundo como
uma alma moribunda”.
Esboçou um sorriso que
precedeu uma expressão de insatisfação.
“Era um lindo molde de
reciprocidade. A sintonia era prática, objetiva. Era um exagero de felicidade e
eu sabia que faltava o outro lado negativo da balança, porque de alguma
estranha forma o universo precisa equilibrar as coisas para funcionar direito.
O bar estava falindo. Não obstante, o andar acima dele era também a casa onde
ela e a família moravam. Aquela situação descoloriu a pessoa mais vibrante que
eu havia conhecido. A depressão eclodiu. Eu não tinha munições para ajudá-la,
mamãe. Eu desconhecia a doença. Eu só podia assistir sua ruina, assim como a
mãe natureza sendo espectadora dos furacões, das tempestades e dos tsunamis.
Por fora não se viam detalhes físicos da doença, mas seus olhos entregavam uma
agonia onipresente em seu ser. Não saíamos mais. Não ríamos mais. Não
desbravávamos mais o mundo. Por escolha, ela me pediu que eu me afastasse. Não
queria que eu participasse do pior momento que ela citava como “grande
fraqueza”. Ela persistiu por um tanto. Eu respeitei sua escolha, ainda que me
sentisse como um covarde abandonando uma guerra. Mas infelizmente não era uma
guerra minha”.
Não conseguiu segurar o
choro e caiu de pranto.
“Dessa vez eu não vou
surpreende-la dizendo que resisti ao álcool. Depois daquele dia ele me possuiu,
elevou meu espírito ao pior escarnio dos infernos. Eu me perdi por semanas.
Entrei em brigas com estranhos, dormi na rua e fui dispensado do meu emprego. Num
desses dias, para a minha grande sorte, numa ridícula situação um estranho
deu-me um presente: a escuta que eu precisava. Ele pegou a cadeira ao meu lado
e puxou um papo sobre drinks. Para um alcoólatra, é como se fosse
um mecânico falando sobre carros. Logo em seguida, começamos a lamentar nossos
amores. Eu disse “em uma parte da minha vida eu fui irresponsável e deixei como
encargo dos outros o amor que eu jamais deveria ter deixado de dar aos meus
filhos; em outra parte, quando decidi me consertar e conheci o apoio perfeito
para isso, a vida me colocou em um certame em que fui nocauteado, sem qualquer
tipo de reação. Por aqui, meu caro amigo, o que vem não fica, nem mesmo quando
parece que é pra ser”. Ele respondeu “eu acho que sei onde te auxiliar a encontrar
esse equilíbrio na sua vida, mas que você precisa ter forças para encontra-lo”.
Entregou um cartão. Era um grupo de AA, com participação de aconselhadores. As
idas até lá me ajudaram muito. Parecia que alguma fração de Dalila ainda estava
ali como um escudo para lutar. Um dos aconselhadores era também psicólogo da
rede pública de saúde. Depois de muitas reuniões tomei a liberdade de
pergunta-lo sobre a depressão. Ele me contou muita coisa, além de muitas outras
que eu havia pesquisado. Eu precisava tentar ajudar Dalila. Tomei nota da ajuda
gratuita oferecida pelo escritório daquele psicólogo e decidi que aquilo valia
como tentativa de resgate das trevas em que a pessoa que eu amava precisava
para sair. Eu só não sabia se ela ainda estaria naquela velha casa. Mas eu fui
assim mesmo. Bati na porta. Um homem atendeu e disse que eles já haviam mudado,
ele só não sabia para onde. Aliás, ninguém sabia. Era o fim, mamãe. Eu tinha
que aceitar a dor do consentir. Quando souberam da minha recuperação, minha ex-esposa
decidiu dar uma chance para que eu pudesse ver regularmente meus filhos. Eu
nunca os amei tanto. E hoje, estou aqui te contando isso, infelizmente sobre um
pouco de efeito de maconha, porque eu precisava de algo pra sustentar o peso
que seria lembrar de tantas coisas e principalmente olhando para o seu túmulo.
Eu estou até sentindo você me puxar pelas orelhas e dizendo para eu largar esta
merda”.
Levantou-se, secou o
nariz e os olhos. Enquanto isso, ajeitou as flores que trouxe se despedindo.
No cateto da porta de
entrada de onde se encontrava William, a moça que antes deixou derrubar algo
perto de seu pé ainda estava ali, de costas, com o véu na cabeça tapando o
rosto. Quando passou rente à ela, olhou levemente para o lado, a viu levantar o
véu dos rosto e ouviu:
“Eu escutei tudo. Ao
contrário do que você disse, dessa vez o amor não se foi, ele voltou, está bem
e para ficar”.
*Esta história é
inspirada e em homenagem ao meu falecido tio William e também à uma das maiores
inspirações e melhor personagem que eu já vi na vida: William, da série This Is
Us*
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