Sou seu, mas sem eu
Parecia não acreditar. Das escassas surpresas da vida, não esperava nunca por essa. No meio da multidão de homens e mulheres permutados entre si num pequeno cubículo, alguém num ímpeto que jamais pensei que existiria gritou com eloqüência:
“Se você estiver interessado por uma pessoa, você gritará ‘Esse aqui é meu’ e sairá com a pessoa, mas isso só é valido para a parte feminina. Valendo!”
Gritos e mais gritos eram proferidos. Cá e lá. Canto a canto. Abraços por abraços. Beijos por beijos. Um mar de felicidade. Já não sobrava ninguém. Ainda não tinha sido escolhido. O lugar foi se esvaziando. Me virei para a parede. Passei a encarar minha sombra, minha única companhia. Até que escutei um “esse aqui é meu” em minha direção. Abasteci minha alma em conforto, mas eis que ao curvar meu corpo, me deparei que aquilo não passou de um eco do meu desejo pela sala vazia.
Ótimo texto! Gostei das palavras escolhidas para forma-lo, e do que ele expressa! Ótimo blog, aliás. Parabéns!
ResponderExcluirObrigado, Giovana querida.
ResponderExcluirDigo o mesmo para o teu blog.
E quantas vezes nos deparamos assim: a mercê das escolhas alheias.
ResponderExcluirLindo isso Tiago. Muito lindo. ^-^